terça-feira, 13 de julho de 2010

Libertas quae seras tamen.

Quando eu era pequena achava que significava "Libertas que serás também". Um dia minha mãe, mineira engajada, me explicou o que era realmente. (Pra quem não sabe, ta escrito na bandeira de minas, ta gente?)
Muita gente acha de boa e necessário, mas eu acho que ter vinte anos e morar com os pais é um atraso de vida. Não falo pelos outros, falo por mim, é um atraso na minha vida. Fala sério, não pago pelas calcinhas que uso! Cadê a minha dignidade?
Na minha casa não me falta nada, comida, roupa lavada, dinheiro, carinho. Mas ainda assim sinto falta de algo... Me falta liberdade, me falta eu mesma.
Moro com meus pais e meu irmão mais velho. Este último é do tipo "papai miniatura". Igualzinho! Machista, nervosinho, cabeça fechada, pensa que dinheiro traz felicidade. Mas nos damos melhor agora, quando menores nos odiávamos. Meu pai, do tipo matuto ignorante, com todos os seus defeitos que não cabem ao momento, é do tipo tradicionalista hipócrita. Acha que os filhos (todos os 9) são perfeitos. Não bebem, não fumam, não fogem... acha que fez realmente um ótimo trabalho. As vezes até esquece que somos humanos, errar não é permitido, todo mundo na linha! E a mulher? Aah, a mulher tem que servir ao marido. Minha mãe, essa sim, minha paixão! Quem vê a pacata senhora dona de casa, espremida entre marido e filhos, totalmente condicionada a vida que leva, não imagina que na sua juventude, se tivesse vivido na época da inconfidência, seria ela Joana D’arc brasileira. Nesse meio estou eu. Caçula, mulher. Num meio machista, onde meu irmão sempre podia mais. Homem, mais velho.
Nunca tive idade suficiente pra ser levada a sério, afinal, eram 9 na minha frente. Quando comecei a descobrir que era gente também, precisei me esquivar da repressão que tentava me colocar num potinho, e assim o fiz e saí diferente.
Meus irmãos, sempre batalhadores, me parecem ter como objetivo de vida vencer, ganhar dinheiro, serem bem sucedidos. Acho ótimo, também quero isso pra mim, quem não quer? Sejamos sensatos. Porém, esse não é meu objetivo de vida. Se rolar, ótimo! Mas se eu tiver dinheiro suficiente pra viver e principalmente viver cercada de pessoas que eu amo fazendo pro resto da vida coisas que eu amo, putz! Aí sim encontrarei o Nirvana!
Tá, é papo de jovenzinho iludido com a vida, eu sei. Mas voltando à tal liberdade... sentindo-me sufocada, obrigando-me a viver em minha própria casa com uma máscara desconfortável e me sentindo mais gente com meus amigos, que me permitem ser quem eu sou, gostando ou não, mas ser quem eu sou. Falando o que quero falar, sem ter que fingir que não falo palavrão, que não gosto e falo muito de sexo, que não bebo que nem gente grande. Resolvi soltar um grito, um grito entalado, e aí resolvi bordar o grito no meu próprio corpo.
E amanhã vou lá fazer minha tatuagem. Gostem ou não família. Já que sou mesmo a rebelde sem calça, não quero levar a fama sem deitar na cama. Terei pro resto da vida escrito nas minhas costas: "LIBERTAS QUAE SERAS TAMEN" ou, no português mais nu e cru: " LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA".
=)

11 comentários:

Avassaladora disse...

Ah, que linda imagem você faz da mãe, só esqueceu de contar que antes de ser "dona de casa" ele foi muito boa profissional e que agora colhe os louros da aposentadoria precoce...
Eu também quero ter dinheiro, mas o importante é ter familia, estou aos poucos construindo a minha própria, com a ajuda da nossa "Grande família", melhor que ser rico é poder correr pros braços dos que amamos quando a coisa fica feia ou quando dá saudade ou quando dá vontade...
Beijos, irmã!!!

Anônimo disse...

Oi Fralda! gostei do texto! concordo com a fá..e gostei muito da parte que fala da tia..Merece até ser título da próxima atualização, que tal? acho q vc faria bonito.. Bueno, só pra comentar: vc está certíssima. Seja vc mesma e seja feliz! Acho q as vezes é preciso se moldar um pouco à imagem q nossos pais idealizam! Afinal de contas, eles merecem q a gente tente isso (nem q seja um pouco - pelo carinho, por terem nos dado a vida ou até por pagarem calcinhas)..mas tenho certeza q podemos ponderar. Até pq, a gente nao te amaria tanto se vc deixasse de ser vc!
Obs: qnto à tatoo! sua doidinha! so espero q nao tenha ficado bizarra! hehehe! LOVIUUU! BJO DA PRIMA - Ana

Méury disse...

Lindo texto Kakau. sério.
ta mandando muito bem.
Parabéns.

Cy Sonhares disse...

eu bt feh na tattoo! e acredito que existem milhares de formas alternativas de ganhar dinheiro sem precisar ser infeliz... entao acredite. boa vida!

Anônimo disse...

Claudinha, nossa, como eu estava desatualizada, perdi um monte de textos que agora vou ler um por um com calma...
Quanto ao último, adorei suas palavras em defesa do seu grito de liberdade. Sabia que meus conselhos quanto à tatoo não mudariam sua opinião, mas também não poderia concordar só prá lhe agradar, né? Vc sabe que eu não gosto de tatuagens principalmente por serem irreversíveis, mas amei o seu imponente "LIBERTAS QUAE SERA TAMEN"!!!!
BEIJOCAS E SEJA SEMPRE MUITO FELIZ, COM PIERCING E TATUAGEM(ESPERO QUE SEJA SÓ ESTA. HEHEHE)

TIA

Laryssa Martins disse...

Adorei o texto. Super me identifiquei com ele e por isso to tentando dar o meu grito de liberdade por agoira e talvez me mude pra bahia no começo do ano que vem, se tudo der certo. :)
Apóio a sua tatuagem, acho que ficou bem legal! E tem todo um sentido que eu desconhecia até agora. :)
Parabéns, meu bem! E espero que a gente consiga logo essa liberdade tão desejada.

Luiza disse...

senti saudade, cake, beijo

Anônimo disse...

Você não percebeu que já tinha dado o seu grito de independência antes, quando percebeu que não dependia da opinião do mundo sobre você.

De minha parte, disse...

Ei, posta uma foto da tattoo aqui depois =)

Unknown disse...

Eu sempre tive vontade de faser uma tattoo com libertas quae sera tamen então numa bela manhã de sol rosolvi pesquisar no google acabei lendo seu post e encontrei isso tbm http://www.tolicesdoorkut.com/2009/09/tolices-eou-mortes.html

achei muita coincidencia!!

Kau disse...

hahaha! legal Diego! Já fez a sua? beijos